domingo, 18 de janeiro de 2026

Os lampiões que acenderam Macapá

Macapá, 1908.
Aspecto da cidade, vendo-se um dos postes com lampiões (esquerda), instalados no final do séxculo XIX.


Os primeiros indícios referentes ao setor elétrico no Amapá descrevem do final do século XIX, ainda no período em que a atual capital amapaense era um pequeno núcleo populacional mantido pela autonomia de Intendentes indicados pelo Governo do Pará.

Segundo registros, no dia 21 de novembro de 1896, o Conselho Municipal de Macapá divulgou um Edital de serviço público, onde concedia a arrematação de 50 lampiões e 50 “mangas” de vidros novas, para serem utilizadas como âmbito de iluminação noturna da pequena cidade de Macapá. 

Esse material chegou a ser recolhido no ano seguinte em Belém (PA), em termos de compra institucional, pelo então Intendente de Macapá, Senhor Manuel Theodoro Mendes, que posteriormente estabeleceu junto ao Orçamento anual da Intendência local um valor fixo para a instalação desses lampiões em diversos pontos estratégicos da cidade. 

Como havia poucas vias de acesso (ruas) na cidade – o que não devia passar de 10 a 12 travessas – foram então erguidas espessas varas de madeira (tipo acapu ou andiroba) em esquina de ruas e travessas e instaladas na parte superior dessas varas um lampião aceso por querosene. 

Os serviços de iluminação funcionavam de maneira bastante artesanal, onde a Intendência de Macapá pagava uma pessoa (na época denominada profissionalmente de “faroleiro”) que seguia ou montado em cavalo, ou andando, levando uma pequena vara acesa como tocha e acendia manualmente cada lampião instalado na cidade, seguindo uma crença diária que começava por volta das 18hs, e ainda nas primeiras horas da manhã seguinte (5hs ou 6hs), esse “faroleiro” retornava às ruas para dessa vez apagar cada lampião que havia sido aceso na noite anterior. 

Mesmo não oferecendo uma perfeita iluminação no horário noturno, o uso pioneiro dos lampiões se manteve como tal idéia junto às autoridades que passavam por Macapá e procuraram constantemente ampliarem o número de lampiões a serem instalados na cidade.

O serviço ficou se estendendo entre os anos de 1896 a 1913, quando o Intendente Jovino Dinoá solicitou a expansão dos lampiões para uso interno de prédios públicos como a Fortaleza de São José e a frente da Igreja Matriz (São José). 

Vale ressaltar que esses serviços eram cobertos por custo incluídos nos orçamentos anuais do Executivo paraense.

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