quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

1947: A primeira inspeção técnica à cachoeira do Paredão



Governador do Território do Amapá Capitão Janary Nunes retornando de inspeção feita à cachoeira do Rio Araguarí, em 1947.



Foi por volta das 07:00hs da manhã daquele dia 12 de junho de 1947 quando o então governador do Amapá Capitão Janary Gentil Nunes e sua comitiva governamental pegaram um barco-motor e desceram o rio Araguary com o objetivo de analisar as possibilidades de aproveitamento para o fornecimento de energia hidroelétrica do referido rio. 

Estiveram acompanhando o Chefe do Executivo amapaense: Drº Hermógenes de Lima Filho (diretor da Divisão de Obras do Amapá); Mr. John Lucien Hummel (engenheiro-chefe do Serviço Especial de Saúde Pública do Governo amapaense); Tenente Dulcício Alves Barbosa (reformado da Aeronáutica); Sr.º Daniel Martins (fotógrafo); Geraldo Silva (da empresa de mineração Apolo). 

Após saírem de Macapá ás 12hs do dia 11 de junho, seguiram em destino à vila de Porto Grande, onde pernoitaram e seguiram viagem pela manhã, através de um barco-motor cedido pela comunidade. 

Ao descerem rio Araguary, bateram algumas fotos até a região da Cachoeira do Pião e Caldeirão. Às 14hs, depois de fazerem uma ligeira refeição, o então governador e sua comitiva seguiram viagem pela cachoeira. 

O Capitão Janary, o Dr.º Hermógenes e Mr. Hummel ficaram observando a cachoeira do Paredão durante quase uma hora, por jusante e montante nos seus interessantes aspectos. Possuindo cerca de 600m de extensão por 12m e 15m de altura, prevendo-se uma elevada quantidade de potencial hidroelétrico, calculado pelo menos em 200.000 HP na sua totalidade. 

Vale ressaltar que a cachoeira fica numa distância em linha reta de 110km de Macapá. Já por volta das 19hs, o Capitão Janary Nunes e sua comitiva começaram a fazer a viagem de retorno, chegando à fazenda pertencente ao Senhor Dulcício que integrava a sua comitiva, onde ali pernoitaram e seguiram de retorno à Macapá pela manhã seguinte, chegando nesta capital por volta das 08:30hs da manhã do dia 13/06. 

Um dos marcantes momentos dessa viagem pela cachoeira do Paredão veio por patê do Mr. Hummel (engenheiro-chefe do SESP), que revelou o seu entusiasmo pelo futuro econômico da região que teve oportunidade de visitar.

Em 1946, acontece o 1º furto público de materiais elétricos no Amapá



Aspectos de Macapá em meados da década de 1940.



Em 1946, o sistema de distribuição de energia elétrica da área urbana de Macapá era bastante limitado, onde o então Governo Territorial do Amapá investia periodicamente na extensão de novas redes elétricas. 

Porém, para que o poder Público pudesse atender as novas demandas, a Superintendência dos Serviços Industriais do Governo do Amapá efetuava uma lista semanal de pedidos de novas instalações residenciais que eram repassadas para a administração da Usina de Força e Luz (UFL) de Macapá, que, ordenadamente, buscavam atender aos pedidos. 

Como o serviço de fornecimento de eletricidade era uma ação inovadora em termos de infraestrutura urbana para a população macapaense, os materiais elétricos utilizados – tanto na rede distribuidora de energia elétrica, como nas instalações de entrada das residências – eram cedidos em caráter de doação pelo governo amapaense, mas havendo um registro de controle de gastos que serviam na prestação de contas da administração da Usina de Força da cidade. 

Em virtude da cidade de Macapá haver pouco mais de 1.200 moradias espalhadas, menos de 20% desse índice ainda era contemplado pelo fornecimento elétrico, enquanto que boa parte do restante já havia solicitado a instalação de luz elétrica ao governo amapaense, apenas aguardando o atendimento. ´

Material elétrico desaparecido 
A Usina de Força e Luz de Macapá gerava energia elétrica por 15 horas diárias, havendo algumas ocasiões ter ampliado sua geração por ordens superiores, mas mantinha sempre esse período de funcionamento. 

Os poucos registros diários de pane ou sobrecarga na geração da UFL eram ocasionados por razões de natureza adversa (vegetação caída sobre a rede elétrica ou fortes chuvas), já que a cidade anda mantinha um aspecto interiorano. 

A condenação dos envolvidos publicada em 1946.

O quadro administrativo da UFL era composto de seis (06) eletricistas, dois (02) encarregados, oito (08) ajudantes de eletricistas. Todos eram subordinados à Superintendência dos Serviços Industriais do Governo do Amapá, que tinha como titular o Sr. Aristeu Ubirajara Coutinho. 

Como a UFL ocupava 70% do tempo diário, seus funcionários trabalhavam sob regime de revezamento diurno e noturno, estabelecido pela própria Superintendência dos Serviços Industriais. 

Em 20 de setembro daquele ano (1946), numa ação discreta, realizada durante a geração noturna da UFL, cerca de 10kg de fios de cobre desapareceram do depósito da UFL que ficava atrás da própria Usina, sendo levado o fato de imediato ao conhecimento do superintendente Aristeu Coutinho, que registrou o roubo na Delegacia de polícia de Macapá, que prometera investigar cautelosamente o seu destino. 

Sobrecargas na UFL 
Passados alguns dias após o desaparecimento de materiais elétricos, a UFL começou a sofrer constantes desligamentos que não conseguiam ser detectados pela equipe interna da UFL. 

Os chamados “apagões momentâneos” aconteciam quase sempre entre às 20hs e 22hs, deixando perplexos os técnicos da Usina por cinco dias consecutivos, o que obrigou a administração da UFL a tomar uma providência: colocar os eletricistas da UFL para vistoriarem minuciosamente toda a rede elétrica de Macapá durante o horário preciso dos desligamentos.

Como a equipe noturna da UFL era composta de quatro (04) funcionários, coube ao eletricista José Leitão percorrer o circuito elétrico entre os horários que atingiam a geração da UFL. 

Não foi tão difícil para José Leitão constatar que uma rede irregular fornecia energia elétrica para uma moradia localizada por trás da antiga Olaria Territorial, onde Leitão buscou por informações de que aquela instalação não estava registrada no cadastro de residências que eram atendidas pela UFL de Macapá. 

Após uma persistente conversa com o dono da moradia, o eletricista José Leitão soube que a instalação havia sido feita com o referido material elétrico que foi anteriormente furtado do depósito da UFL, e que os responsáveis dessa “façanha criminal” seriam funcionários lotados na UFL. 

Funcionários da UFL envolvidos 
Procurando não causar abalo na estrutura administrativa do governo amapaense, o fato somente veio a público no início do mês de outubro de 1946, quando a Polícia intimou quatro funcionários da UFL de Macapá para prestarem depoimentos na delegacia, onde dois confessaram ter roubado o material e repassado para outros dois colegas da UFL. 

Os operários envolvidos no furto foram: José Francisco dos Santos, Rui Barbosa da Silveira (ex-servidor público), Ivo Dias de Oliveira e Vicente Huet Bacelar, todos do quadro administrativo do Governo Territorial do Amapá, que teriam infringido o artigo 312 do Código Penal. 

Curiosamente o operário José Francisco dos Santos (chamado pela alcunha de “Brocoió”) já tinha passagens policiais por desordens públicas e agressão física. 

Já o encarregado Rui Barbosa havia levantado uma suspeita no envolvimento do furto dos materiais quando solicitou seu desligamento funcional da UFL dias antes do ocorrido, para tratar de sua saúde, o que deixou desconfiado alguns colegas de trabalho que não entendiam a retirada de um “funcionário-padrão” do quadro efetivo de um dos setores mais bem remunerados do governo local. 

A tal denúncia também chegou ao conhecimento da Promotoria da Capital no dia 10 de outubro, que decidiu pela prisão dos envolvidos e condenação mínima de seis anos (para cada acusado) pelo furto de material público e danos ao patrimônio público. 

(Algumas informações foram tiradas do Jornal semanal “Amapá”, de 12/10/1946, edição 82)

1945: Governo Federal libera recursos e os primeiros registros de sobrecargas na UFL de Macapá



Abril de 1945: O encontro do governador do Território do Amapá Capitão Janary Nunes (dir.) com o Presidente da República Getúlio Vargas, garante recursos federais para diversas na região, em especial, para o melhoramento do setor elétrico.


Em março de 1945, o então Território Federal do Amapá já havia crescido significativamente, tanto em termos populacionais como em termos econômicos. 

O fato começou a preocupar o então governador Capitão Janary Nunes que, em 1° de abril daquele ano, viajou para a Capital Federal (que na época era o Rio de Janeiro-RJ) em busca de recursos para serem aplicados em seu plano de governo que acompanharia aquele crescimento sócio-populacional que ocorria na região. 

Durante um mês inteiro em que esteve no Rio de Janeiro (RJ), Janary Nunes manteve diversos contatos com ministérios e departamentos ligados ao Governo Federal, sendo até mesmo recebido pelo próprio Presidente da República Getúlio Vargas (em 10/04/1945) em uma dessas audiências agendadas, onde apresentou um álbum fotográfico sobre as ações já desenvolvidas por sua administração e solicitou a liberação de verbas para a conclusão de obras que se encontravam em andamento no Território amapaense. 

Cel. Hélio de Macedo

O Chefe da Nação garantiu a liberação de recursos que seriam aplicados na agricultura, pecuária e na infraestrutura de prédios públicos no Amapá. Ainda no Rio de Janeiro, Janary Nunes atendeu a um convite especial do Coronel Hélio de Macedo Soares, visitando no dia 16 de abril corrente, as instalações hidrelétricas da capital carioca, o que lhe entusiasmou mais ainda em relação de querer aproveitar o potencial hidroelétrico no então Território Federal do Amapá. 

Enquanto que no Amapá, a demanda migratória “se traçava” descontroladamente sobre as terras amapaenses – em especial pela cidade de Macapá, por onde também chegavam os primeiros empreendedores que fortaleceriam um importante setor primário da região: o setor madeireiro. 

Surgiriam nas imediações das antigas Docas da Fortaleza alguns comerciantes focados na compra e venda deste ramo que era extraído de nossas florestas, na qual abasteciam e impulsionavam consideravelmente o comércio local. 

Em paralelo, apareceriam os primeiros equipamentos industriais constantemente usados nessas madeireiras para o corte e empilhamento desta matéria-prima. Com isso, a Usina de Força e Luz de Macapá já começaria a apresentar seus primeiros registros de sobrecargas, estando a Usina com menos de um ano de funcionamento público. 

Porém, o superintendente dos Serviços Industriais do Governo do Amapá, Dr. Eloy Monteiro Nunes, na qual coordenava o funcionamento e a distribuição de energia elétrica para a capital, emitiu no dia 29 de julho/45, um Aviso Público para os moradores da cidade, com vários procedimentos relacionados à utilização limitada de eletricidade por esses consumidores, proibindo seu desperdício para alguns aparelhos domésticos (como geladeiras, ferros e discos elétricos), entre os horários de 18hs e 22hs, quando essa sua geração elétrica era diretamente destinada nos serviços de iluminação noturna e radiofônica da cidade. 

O referido Aviso Público foi temporariamente cumprido pela população, tendo que respeitar que os horários de geração elétrica que diariamente ocorriam das 18hs até às 06hs da manhã do dia seguinte. 

Em 08 de novembro de 1945, o Governo do Amapá baixou o Decreto n. 032, descrevendo as funções públicas da Usina de Força e Luz (UFL) de Macapá, também apresentando sua primeira equipe de funcionários e a escala de geração elétrica da cidade. 

Até dezembro corrente, a UFL da capital já havia distribuído em torno de 123.732kw/h durante todo esse ano.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Em 1944, diversas comunidades do Território do Amapá recebem energia elétrica

Em paralelo com esse pequeno abastecimento público, foi também sendo implantada luz elétrica na Vila Militar de Clevelândia (em 02/09/1944), na vila de Oiapoque (em 07/09/1944) e na sede municipal de Mazagão (em 17 de julho corrente). 

Todas essas instalações passaram a serem atendidas por motores “kohler”, com serviços realizados pelo técnico Manuel Martins Filho, contratado pelo Governo do Amapá. 

Esse mesmo técnico seria o responsável por coordenar a construção física do prédio da 1ª Usina de Força e Luz da capital amapaense, seguindo ordens do Capitão Janary Nunes, passando fixamente a funcionar na Passagem da Boa Esperança (atual Avenida General Gurjão, no Centro de Macapá). 

Esse novo prédio, solenemente inaugurado no primeiro aniversário de criação do Território Federal do Amapá (em 13/09/1944), seria construído em formato de “chalet”, com paredes de madeira e piso de concreto, e tendo a cobertura de telhas “Eternit”. 

No dia 10 de novembro de 1944, o Governo do Amapá substituiu a geração elétrica da Usina de Força e Luz da capital com carga mais elevada, agora constituída de três (03) motores “Caterpillar” para fornecer eletricidade para os receptores de rádios (nas residências), refrigeradores e máquinas em geral, além de atender ao sistema de iluminação pública da cidade. 

Até dezembro desse ano, o Governo amapaense já tinha instalado o fornecimento de energia elétrica nas localidades mais populosas do Território do Amapá, todas contendo motores “kohler”.

A eletricidade retorna com a criação do Território do Amapá


1944: A geração de um motor instalado no quintal do prédio do Palácio do Governo distribuía o forncimento de energia para alguns quarteirões próximos da sede do governo.



Em 25 de janeiro de 1944 ocorre a instalação do Governo do Território Federal do Amapá, nomeando o Capitão de Exército Janary Gentil Nunes (1912-1984) para administrar a nova região recém-independente em termos político-administrativo. 

Ainda no mesmo dia de instalação do novo governo, o Capitão Janary Nunes tomou imediato conhecimento das péssimas situações que a capital amapaense vivia: sem sistema adequado de esgoto sanitário, sem energia elétrica e sem qualquer outra infraestrutura mínima para manter uma cidade parcialmente “limpa e organizada”. 

Com o lema institucional “Sanear, Educar e Povoar”, Janary inicialmente criou Divisões e Departamentos que seriam responsáveis por cada área e setor social que viesse a empenhar trabalhos visivelmente positivos para a comunidade local. 

Entre as áreas a serem investidas em benefício da sociedade seria o setor elétrico, que ficaria sob a responsabilidade da Divisão de Obras do Governo Territorial do Amapá, que também respondia pelos serviços de saneamento e infraestrutura de todo o território amapaense.

Tendo como seu primeiro chefe o Engenheiro Hermógenes de Lima Filho, a Divisão de Obras distribuiu funções e tarefas na capital e no restante do Território do Amapá como forma de desenvolver e conhecer demograficamente a situação em toda região. 

Tal ação fez com que o governo amapaense pudesse se aproximar das necessidades sociais que atingiam as comunidades suburbanas e as mais distantes do centro urbano da capital.

Uma dessas primeiras ações benéficas ocorreu no dia 18 de março de 1944 com a inauguração de um serviço provisório de energia elétrica para atender alguns prédios públicos da cidade de Macapá, em especial, o Palácio do Governo do Amapá (inicialmente montado em duas salas do atual Museu Joaquim Caetano da Silva). 

Abastecido por um “motorzinho” à gasolina, fora instalado no quintal do prédio do Palácio Governamental para atender uma escola primária, a residência interina do governador Janary Nunes (que ficava em frente do Palácio Governamental) e iluminação noturna das imediações do Palácio e a Igreja Matriz da cidade.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O ano é 1929: Do motor à primeira Usina de Força e Luz de Macapá

Em outubro de 1929, a cidade de Macapá receberia, pela primeira vez, um fornecimento (provisório) de energia elétrica, quando uma comissão encarregada de proceder aos estudos de levantamentos topográficos para construção da estrada Macapá-Clevelândia, aqui estiveram e trouxeram um pequeno motor com gerador que fornecia eletricidade para algumas casas e ruas da cidade. 

O pequeno motor ficou instalado numa área lateral da residência do então prefeito de Macapá Otávio Ramos, onde autorizou que tal benefício atingisse outras quatro casas que ficavam nas proximidades, por achar “útil e necessário tal serviço”. 

Essas casas que receberam energia provisória serviam como escola primária, delegacia de polícia e um pequeno depósito municipal. 

O fornecimento elétrico – que era mantido por três horas diárias – durou menos de dez dias, já que a comissão retirou-se da cidade de Macapá após a conclusão desses estudos topográficos, levando consigo o referido gerador. 

Somente na gestão municipal do Major Moisés Eliezer Levy (em fevereiro de 1933) que a cidade macapaense novamente receberia energia elétrico, quando um motor de uso naval, movido à gasolina, seria instalado numa das galerias do prédio da Intendência de Macapá, gerando eletricidade somente para o prédio público e outras três residências adjacentes.

Quando o Major deixou o cargo de prefeito, também levou consigo o referido motor por alegar que o equipamento lhe pertencia particularmente. 

Já em novembro de 1937, o prefeito de Macapá Coronel Francisco Ramos Soares, conseguiu através de um pedido pessoal com o então governador do Estado do Pará, José Carneiro da Gama Malcher, a autorização para a construção de uma pequena Usina de Força e Luz (com caldeiras à vapor), para o melhoramento social da cidade macapaense, sendo esta erguida numa área localizada no atual cruzamento da Rua Independência com a Alameda Francisco Serrano. 

Como a cidade não supria de muitos recursos sociais (como prédios ou grandes estabelecimentos comerciais), a Usina somente gerava força hidráulica (fracos movimentos com auxílio das águas) como forma de atender apenas aos engenhos de embarcações atracadas nas imediações das Docas da Fortaleza. 

Essa Usina de Força se manteve precariamente até setembro de 1938, quando a falta de atenção do Poder Público ocasionou sua paralisação por tempo indeterminado, levando novamente a cidade Macapá a ficar sem tal serviço até a instalação do Governo Territorial, já ocorrido somente na década seguinte.

Os lampiões que acenderam Macapá

Macapá, 1908.
Aspecto da cidade, vendo-se um dos postes com lampiões (esquerda), instalados no final do séxculo XIX.


Os primeiros indícios referentes ao setor elétrico no Amapá descrevem do final do século XIX, ainda no período em que a atual capital amapaense era um pequeno núcleo populacional mantido pela autonomia de Intendentes indicados pelo Governo do Pará.

Segundo registros, no dia 21 de novembro de 1896, o Conselho Municipal de Macapá divulgou um Edital de serviço público, onde concedia a arrematação de 50 lampiões e 50 “mangas” de vidros novas, para serem utilizadas como âmbito de iluminação noturna da pequena cidade de Macapá. 

Esse material chegou a ser recolhido no ano seguinte em Belém (PA), em termos de compra institucional, pelo então Intendente de Macapá, Senhor Manuel Theodoro Mendes, que posteriormente estabeleceu junto ao Orçamento anual da Intendência local um valor fixo para a instalação desses lampiões em diversos pontos estratégicos da cidade. 

Como havia poucas vias de acesso (ruas) na cidade – o que não devia passar de 10 a 12 travessas – foram então erguidas espessas varas de madeira (tipo acapu ou andiroba) em esquina de ruas e travessas e instaladas na parte superior dessas varas um lampião aceso por querosene. 

Os serviços de iluminação funcionavam de maneira bastante artesanal, onde a Intendência de Macapá pagava uma pessoa (na época denominada profissionalmente de “faroleiro”) que seguia ou montado em cavalo, ou andando, levando uma pequena vara acesa como tocha e acendia manualmente cada lampião instalado na cidade, seguindo uma crença diária que começava por volta das 18hs, e ainda nas primeiras horas da manhã seguinte (5hs ou 6hs), esse “faroleiro” retornava às ruas para dessa vez apagar cada lampião que havia sido aceso na noite anterior. 

Mesmo não oferecendo uma perfeita iluminação no horário noturno, o uso pioneiro dos lampiões se manteve como tal idéia junto às autoridades que passavam por Macapá e procuraram constantemente ampliarem o número de lampiões a serem instalados na cidade.

O serviço ficou se estendendo entre os anos de 1896 a 1913, quando o Intendente Jovino Dinoá solicitou a expansão dos lampiões para uso interno de prédios públicos como a Fortaleza de São José e a frente da Igreja Matriz (São José). 

Vale ressaltar que esses serviços eram cobertos por custo incluídos nos orçamentos anuais do Executivo paraense.

1947: A primeira inspeção técnica à cachoeira do Paredão

Governador do Território do Amapá Capitão Janary Nunes retornando de inspeção feita à cachoeira do Rio Araguarí, em 1947. Foi por volta das ...